Com direção de Fernando Guerreiro, cenário de Zuarte Jr. e adereços de Agamenon de Abreu, Sueli Garcia, Yoshi Aguiar e Danilo Cairo, estreou no dia 21 de julho, o espetáculo “Camila Baker”, que retrata a vida da personagem que dá nome à peça. Camila pensa que foi uma grande atriz no passado, mas a realidade é bem diferente. Ela relembra alguns trabalhos que fez e encena-os num pequeno palco que tem dentro de casa. No seu estado de decadência, acontece uma espécie de trama quase policialesca, porque um crime é cometido e ninguém sabe quem foi o autor, só sendo descoberto no final.O cenário é uma mansão decadente, na qual a personagem aproveita o que lhe resta para reviver algumas lembranças do seu passado de atriz e das peças em que atuou. Alguns elementos, como restos de cadeiras despedaçadas de outras épocas e estilos, que foram acumulados ao longo da vida de Camila Baker, são utilizados na encenação. As cortinas estão furadas e rasgadas, as paredes de mofo, e para ter essa aparência mofada, optou-se pela cor rosa surrado e sujo para retratar com mais fidelidade esse aspecto de decadência, mas deixando transparecer que houve um glamour no passado do ambiente. A casa, de tão abandonada, permite que as árvores atravessem o espaço e entrem pelas janelas, que estão caindo, e por todos os buracos possíveis, criando uma atmosfera absurda. O tapete é rasgado, e na sala tem uma coluna grega, que ao mesmo tempo parece que é da construção da casa de Camila e de uma tragédia grega, na qual ela atuou e, portanto, relembra. Mas tudo está caindo e sendo despedaçado.
Os materiais utilizados para a confecção foram madeira, isopor, papel, ferro, tecido, espuma e veludo.
Os Adereços
Este espetáculo teve uma particularidade: a criação de adereços de cena e de cenário. Uma carcaça de cabeça de boi foi esculpida em isopor e reforçada com papietagem. Para o acabamento, foi passada massa corrida, e em seguida, recebeu a pintura final. Também houve a confecção de algumas próteses: pernas, bustos, glúteos e seios em espuma semiortopédica, com acabamento de tinta puff. A modelagem das mesmas foi inspirada na técnica desenvolvida pelo designer Jum Nakao, que ministrou no Centro Técnico a oficina “Modelar – Inovações: Geometria x Corpo x Espaço”, na qual a modelagem é feita a partir do manequim. Da apropriação desta técnica, modelou-se uma perna de manequim, sendo construído esse adereço de cena. Um porco de tamanho real foi desenvolvido com espuma, mas a cabeça, esculpida em isopor, tendo tratamento de papietagem e pintura. Três árvores foram feitas com estrutura de metalon, revestidas de tela de galinheiro e papietagem para depois receberem a pintura final e acréscimo de folhagens sintéticas. Encontradas em brechó, as cadeiras foram restauradas, reestruturadas e revestidas com folhas de ouro, e um acolchoado foi criado para ser destruído pela necessidade do conceito da cenografia.
Texto: Luís Cláudio de Oliveira
Fotos: Agamenon de Abreu
























